Associação vertical de fácies e análise de elementos arquitecturais: concepções concorrentes e complementares na caracterização de ambientes aluviais

The vertical facies succession analysis and the architectural element analysis: concurrent and complementary concepts used for the characterisation of alluvial environments

Ferreira-Júnior P.D. Departamento de Geologia, Escola de Minas, Universidade Federal de Ouro Preto, Cep 35400-000, Ouro Preto, MG, Brasil E-mail: pdias@degeo.ufop.br
Castro P.T.A.
Departamento de Geologia, Escola de Minas, Universidade Federal de Ouro Preto, Cep 35400-000, Ouro Preto, MG, Brasil E-mail:paulo@degeo.ufop.br

e-Terra
volume 1 - nº 1 - 2001

e-terra.geopor.pt

Palavras-Chave: Fácies, elemento arquitectural, macroforma, aluvial, modelo deposicional.

Key-words: Facies, architectural elements, macroform, alluvial, depositional models.

Resumo: O estudo de rochas sedimentares em afloramentos emprega duas formas distintas de análise, interpretação e codificação denominadas de sucessão vertical de fácies e análise de elementos arquitecturais. Os resultados da aplicação de metodologias distintas divergem, principalmente, no que diz respeito ao pormenor das informações obtidas. A aplicabilidade destes dois métodos foi testada na análise das rochas sedimentares da Formação Uberaba, Grupo Bauru, Neo-Cretáceo da Bacia do Paraná, na região sudeste do Brasil. A utilização em conjunto da sucessão vertical de fácies e análise de elementos arquitecturais permitiu definir o sistema deposicional responsável pela formação desta unidade como fluvial dominado por um complexo de canais entrançados marcados por uma alta mobilidade lateral.
A síntese das informações levantadas em campo e a busca pela padronização da linguagem técnica levou ao desenvolvimento do conceito de fácies que congrega aspectos físicos, químicos e biológicos de rochas sedimentares de diferentes tipos. A sucessão vertical de fácies e associação de fácies com relações genéticas e ambientais possibilita a definição de um sistema deposicional. A simples identificação de uma sucessão vertical de fácies, entretanto, não deve ser utilizada isoladamente na caracterização dos sistemas deposicionais.
Do mesmo modo, uma simples correlação com uma tabela preestabelecida com as principais fácies deve ser evitada, pois características menores, mas não menos importantes podem vir a ser ignoradas comprometendo uma descrição minuciosa e detalhada. A representação gráfica da sucessão vertical de fácies é dada em perfis estratigráficos ou sedimentológicos que trazem uma perspectiva bidimensional dos pacotes rochosos. Este método foi largamente empregue a partir da década de 1970, sendo amplamente utilizado com eficiência e fácil aplicação.
A sistematização das técnicas de descrição e análise de rochas sedimentares em afloramentos passou por um grande avanço na década de 1980 quando foi desenvolvido o conceito do Método de Análise de Elementos Arquitecturais.
Esta metodologia emprega o rico acervo de superfícies de descontinuidades que separa as fácies e associações de fácies e que era ignorado ou sub-utilizado pelo método da associação vertical de fácies. O princípio fundamental da técnica de análise arquitectural é a identificação de superfícies de descontinuidades físicas que subdividem uma sequência aluvial em pacotes geneticamente relacionados e hierarquicamente estruturados conhecidos com elementos arquitecturais e macroformas. Estas informações, associadas à direcção de migração das formas de leito, propiciam uma visão tridimensional dos depósitos obtida a partir de secções aflorantes bidimensionais o que possibilita a determinação da geometria dos corpos sedimentares.
A análise arquitectural oferece vantagens sobre a associação vertical de fácies, pois possibilita a determinação da geometria dos pacotes arenosos e informações detalhadas sobre variações locais do estilo fluvial e da direcção de desenvolvimento das formas de leito que podem ser de grande importância em campanhas de prospecção em depósitos aluviais. No confronto entre a utilização do método de análise de elementos arquitecturais e da associação vertical de fácies, os dois se mostram concorrentes e complementares.
Este texto discorre sobre questões metodológicas relacionadas à aplicação da técnica dos perfis estratigráficos e análise de elementos arquitecturais apontando as vantagens e desvantagens dos métodos no estudo de depósitos aluviais
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Abstract: There are two ways to study sedimentary rocks in outcrops: the vertical facies succession analysis and the architectural element analysis. The main difference between them is related to how detailed the results are. This paper deals with methodological aspects of both methods, trying to point out the advantages and disadvantages of using each one in alluvial rocks. In order to make this research it was selected as fieldwork object the Neocretaceous sedimentary rocks from Uberaba Formation, Bauru Group, of Paraná Basin, Southeast Brazil. From using both methods we can define these rocks as formed by a braided fluvial system with a high mobility channel complex.
When the vertical facies succession analysis is used, several steps must be used from outcrop analysis to depositional system inrepretation. The collect of outcrop data and the necessity of an useful technical language are the base over which the facies concept was established. The vertical facies succession and facies association based on their genetic and environmental relations are used to define depositional systems. However, the establishment of vertical succession of facies by itself can not be used to characterise a depositional system.
In the same way, comparison among facies groups from outcrops and those presented as summary tables of each depositional systems that appear in several publications must be avoid because they simply ignore some characteristics of each example. Vertical successions of facies are usually showed as bidimentional graphic logs, being wide used since the 1970’s.
In 1980, the establishment of the architectural element analysis method improved the sedimentary rock description and analysis of outcrops. Instead of using only sedimentary rock aspects (facies) this method pays attention on the discontinuity surfaces such as set boundaries that usually occurs in outcrops. The main goal of architectural element analysis method is to identify discontinuity surfaces that can be used to limit and identify genetically related sedimentary bodies in alluvial rocks. These sedimentary bodies, hierarchically ordered are known as architectural elements and macroforms.
It is possible to obtain a tridimentional perspective of sedimentary rocks and consequently their geometry by using architectural elements and macroforms defined in outcrops associated with paleocurrent measurements of bedforms.
The Architectural elements analysis offer more advantages to the user when compared with vertical facies succession analysis. This is mainly because architectural element analysis turns possible to determine sandy body geometry, local variation of the alluvial depositional style and the direction of sedimentary growing and/or developing. These informations are useful in mineral deposit prospection such as in placer deposits and in petroleum prospection also.
When compared, both the vertical facies succession and architectural element analysis methods they seem to be competing and complementing at the same time.

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